quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Benetton quer encontrar o “Desempregado do Ano”

 

Benetton quer encontrar o “Desempregado do Ano”
Marca italiana desafia jovens desempregados de todo o mundo, entre os 18 e os 30 anos, a relatarem o seu “currículo do desemprego”. Os 100 projectos mais votados serão financiados com 5 mil euros
Texto de Ana Maria Henriques • 18/09/2012 - 16:07
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O "slogan" da mais recente campanha publicitária da marca de roupa convida a uma reflexão sobre o desemprego jovem. A United Colors of Benetton procura o “Desempregado do Ano” e para o encontrar lançou um concurso, aberto a jovens de todo o mundo com idades entre os 18 e os 30 anos.

A marca italiana, conhecida por apostar em campanhas polémicas, quer conhecer histórias de “currículos de desempregos”: os estudos, as capacidades e o fracasso dos jovens na hora de procurar um emprego à medida, diz o jornal espanhol El País.

Além destes relatos, a Benetton, através da Fundação Unhate, recebe projectos pessoais, dos mesmos jovens, até 14 de Outubro, desde que "em consonância com a filosofia e os valores fundamentais da Fundação Unhate", dita o regulamento. Os 100 mais votados recebem “o montante de 5 mil euros cada”, pode ler-se página da campanha. A condição é que sejam desempregados.

Para promover o concurso, a marca exibe, no site, fotografias de jovens vestidos para uma entrevista de emprego, lado a lado com uma legenda que conta a sua história. Fica-se, assim, a saber que James, de 23 anos, é um “não engenheiro de som do Reino Unido” e que Eno, de 28, é um “não actor nos EUA”. Para a Benetton, cada relato – e retrato – de desemprego é único: “1 dos quase 100 milhões de jovens com menos de 30 anos à procura de emprego”.

Na apresentação pública da campanha, que aconteceu em Londres, Alessandro Benetton, o novo presidente de marca, explicou que o objectivo é chamar a atenção para um problema social que alastra em todo o mundo. “Pela primeira vez, em muitos anos, os nossos filhos vão ter uma vida mais dura do que a dos seus pais”, cita o jornal espanhol. “Esta campanha pode parecer menos impactante do que as anteriores, mas o assunto é mais grave.”

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Stephen King junta-se a Warren Buffett: "Sou rico, aumentem-me os impostos"

Stephen King, o mestre dos livros de terror, considera que os milionários norte-americanos pagam poucos impostos e critica o sistema fiscal do país, à semelhança do que o multimilionário Warren Buffett fez recentemente.

O autor de Conta Comigo, Os Condenados de Shawshank ou o Nevoeiro, faz doações anuais no valor de 4 milhões de dólares a “bibliotecas, bombeiros, escolas e a várias organizações que apoiam as artes”, diz que paga 28% de impostos sobre o seu rendimento mas que isto não é suficiente.

“As responsabilidades nacionais na América, como a educação e a saúde, não podem depender do 1% de pessoas que faz caridade”, afirma o escritor num artigo de opinião no Daily Beast com o nome de “Tax Me, for F@%&'s Sake!”.

King considera-se um rico modesto (“baby rich”) comparado com outros milionários e afirma que o actual nível de impostos não é suficiente porque “a caridade dos ricos não resolve o aquecimento global ou baixa o preço da gasolina”.

“A maior parte dos ricos paga 28% e não dá os outros 28% do seu rendimento à caridade. A maior partes dos ricos gosta de manter o seu dinheiro”, defende. Para King, os ricos são “adorados” na América. “Não me perguntem porquê; eu também não entendo, visto que a maior parte dos ricos são aborrecidos e velhos”.

Um dos exemplos apresentados pelo escritor é do milionário republicano Mitt Romney que disse: “Sou rico e não peço desculpa por isso”. Stephen King diz que ninguém precisa de desculpas mas o reconhecimento de que Romney nunca teria conseguido chegar onde chegou se não existisse mobilidade social no país. “Tiveste a sorte de nascer num país onde a mobilidade social é possível, um assunto que Barack Obama pode falar com a autoridade da experiência, mas os canais que tornam essa mobilidade possível estão a ficar cada vez mais fechados”, escreve o autor. “Não é justo pedir à classe média para assumir uma proporção exagerada do fardo fiscal”.

Grupos de entreajuda na procura de emprego

«Ajudar e ser ajudado é a equação central», explica o presidente do Instituto Padre António Vieira, promotor do projeto com a Cáritas Portuguesa.

Lisboa, 02 mai 2012 (Ecclesia) – Uma parceria entre o Instituto Padre António Vieira (IPAV) e a Cáritas Portuguesa vai permitir combater o desemprego em Portugal, através da criação de grupos de entreajuda social para a procura de oportunidades de trabalho.

Em texto publicado no dossier desta semana do Semanário Agência ECCLESIA, Rui Marques, presidente do IPAV, organismo ligado à Companhia de Jesus, sublinha que a implementação destes núcleos solidários, um pouco por todo o país, favorecerá também o “combate ao isolamento e ao risco de depressão” entre as pessoas que ficaram “sem lugar no mercado”.

“Uma das dimensões mais descuradas na problemática do desemprego é a sua dimensão psicológica”, aponta aquele responsável, baseando-se nos estudos da Organização Mundial de Saúde que mostram “uma correlação arrepiante” entre o aumento da taxa de desemprego e o número de suicídios.

Segundo os últimos dados avançados pelo Eurostat – gabinete de estatística da União Europeia, a taxa de desemprego em Portugal ronda hoje os 15,3 por cento e atinge por igual medida homens e mulheres, sobretudo jovens a partir dos 25 anos.

A partir da criação dos GEPE - Grupos de Entreajuda na Procura de Emprego – e dos GIAS – Grupos de InterAjuda Social, da Cáritas, a sociedade ganha um “modelo simples, barato e facilmente disseminável por todo o território”, realça Rui Marques.

Cada núcleo, constituído por cerca de “8 a 12 pessoas”, irá contar com a ajuda de “dois animadores voluntários”.

As reuniões, semanais ou quinzenais, vão possibilitar aos participantes a “partilha do trabalho de pesquisa de oportunidades de trabalho e a autoformação em competências relevantes para a empregabilidade”, adianta o presidente do IPAV.

Para aquele responsável, as vantagens para os membros de cada grupo serão “óbvias”, já que estar num GEPE significa “multiplicar por dez” as “redes de contactos” de cada pessoa.

“Ao partilhar contactos, informações, pistas de oportunidades, num registo solidário os membros de cada GEPE estão a construir soluções para si e para os outros”, salienta.

Por outro lado, “a noção de que se é útil e valioso, de que se pode ajudar quem está na mesma situação de desemprego, pode ser profundamente mobilizadora”.

“Ajudar e ser ajudado é a equação central. Também para quem está em dificuldades, ser solidário na tempestade é parte da solução”, conclui Rui Marques.

O projeto está em “acelerado alargamento”, um pouco “por todo o país”, por exemplo nas regiões de Lisboa e do Porto, com o apoio de instituições anfitriãs como a Junta de Freguesia de Campolide, a Fundação S. João de Deus, o Centro de Reflexão e Encontro Universitário Inácio de Loiola e as Escolas do Torno e do Prado.