
Stephen King, o mestre dos livros de terror, considera que os milionários norte-americanos pagam poucos impostos e critica o sistema fiscal do país, à semelhança do que o multimilionário Warren Buffett fez recentemente.
O autor de Conta Comigo, Os Condenados de Shawshank ou o Nevoeiro, faz doações anuais no valor de 4 milhões de dólares a “bibliotecas, bombeiros, escolas e a várias organizações que apoiam as artes”, diz que paga 28% de impostos sobre o seu rendimento mas que isto não é suficiente.
“As responsabilidades nacionais na América, como a educação e a saúde, não podem depender do 1% de pessoas que faz caridade”, afirma o escritor num artigo de opinião no Daily Beast com o nome de “Tax Me, for F@%&'s Sake!”.
King considera-se um rico modesto (“baby rich”) comparado com outros milionários e afirma que o actual nível de impostos não é suficiente porque “a caridade dos ricos não resolve o aquecimento global ou baixa o preço da gasolina”.
“A maior parte dos ricos paga 28% e não dá os outros 28% do seu rendimento à caridade. A maior partes dos ricos gosta de manter o seu dinheiro”, defende. Para King, os ricos são “adorados” na América. “Não me perguntem porquê; eu também não entendo, visto que a maior parte dos ricos são aborrecidos e velhos”.
Um dos exemplos apresentados pelo escritor é do milionário republicano Mitt Romney que disse: “Sou rico e não peço desculpa por isso”. Stephen King diz que ninguém precisa de desculpas mas o reconhecimento de que Romney nunca teria conseguido chegar onde chegou se não existisse mobilidade social no país. “Tiveste a sorte de nascer num país onde a mobilidade social é possível, um assunto que Barack Obama pode falar com a autoridade da experiência, mas os canais que tornam essa mobilidade possível estão a ficar cada vez mais fechados”, escreve o autor. “Não é justo pedir à classe média para assumir uma proporção exagerada do fardo fiscal”.